Outro lado
Palavras não
seriam suficientes para definir o júbilo que trouxeram-me todos os minutos em
que estive ao seu lado. Por muitas vezes impedi meus sentidos de exercerem sua
íntegra função por medo que oferecessem resistência àquilo que, com imensa
alegria, sentia por ti. Réu confesso, agora assumo a culpa, por cada sentença não
profanada, por cada sussurro não ouvido e por cada brisa não tocada. Fui por ti
e hoje, por mais que irresoluto, tento ser por nós. Mas ainda assim o esmero, o
carinho e, acima de tudo, o amor, manter-se-ão talhados em meu coração.
Obrigado por todas as tardes de domingo em que permitias que eu escorasse meu
sono em teus braços, usando-os como nuvens, para dividir a beleza de cada
devaneio usurpado por meus sonhos. Minha gratidão não é proporcional ao meu
aprendizado ao teu lado e, ambos sabemos, que mesmo que fechem-se as cortinas,
o espetáculo há de continuar. Senão aqui, em outros palcos, em outros planos,
em outras vidas.


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